quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Xixi na cama



A capacidade de se conseguir segurar o xixi durante a noite acontece de forma diferente daquela durante o dia. Enquanto a continência da urina diurna ocorre por volta de dois a três
anos de idade, a continência noturna pode levar até cinco anos.

Ao passo que a retirada da fralda durante o dia ocorre com o incentivo e visitas ao banheiro quase de hora em hora, durante a noite o processo é exatamente o contrário, ou seja, só retiramos a fralda noturna quando a criança começa a acordar seca por vários dias seguidos.
A continência da urina durante a noite ocorre por vários mecanismos neurológicos que amadurecem, permitindo que isto ocorra. Um destes mecanismos é a ocorrência de um pico de hormônio antidiurético no período noturno, o que faz cair a produção de urina, permitindo que haja continência durante a noite. Este aumento de hormônio à noite acontece em tempos diferentes de uma criança para outra, levando mais tempo em algumas e menos tempo em outras. É por este motivo, absolutamente incontrolável, que não adianta tirar a fralda para a criança segurar o xixi e sim, tirar quando ela já não estiver urinando mais à noite.

Quando o seu filho estiver iniciando a saída das fraldas, é quase certo que "acidentes" ou escapes vão ocorrer. Xixi na cama geralmente não está associado a distúrbio físico ou emocional.

Se ocorrer um escape e xixi na cama, explique para sua criança que você entende e sabe que não é culpa dela. Evite oferecer líquidos durante duas horas antes da criança dormir.

A incontinência de urina durante a noite, após cinco anos de idade é chamada enurese noturna. Praticamente todas estas crianças conseguirão superar este problema até a adolescência. Entre os tratamentos estão o uso de alarmes sonoros, a administração de hormônio antidiurético em comprimidos ou sprays nasais ou até mesmo a utilização de neurolépticos, prescritos pelo pediatra ou por um urologista.









domingo, 30 de outubro de 2011

Ácaros do pó: como evitá-los






Dando continuidade ao assunto ácaros, que iniciei com o post Ácaros do pó: dormindo com o inimigo (http://pediatrio.blogspot.com/2011/09/acaros-do-po-dormindo-com-o-inimigo.html) falarei um pouco sobre como evitar estes “inquilinos” que insistem em morar em nossas casas. Veja bem, eu disse EVITAR. Infelizmente não há como dizer eliminar, pois é praticamente impossível livrar-se completamente dos ácaros.

Os ácaros se desenvolvem muito bem em ambientes úmidos (acima de 50% de umidade relativa), com temperatura ideal em torno de 25°C. A presença de poeira e fungos é essencial para sua sobrevivência, além da descamação da pele humana, que é seu alimento. Conhecendo bem seu habitat e suas necessidades, fica mais fácil combatê-los.

Sol, muito sol



Os ácaros não toleram ambientes com bastante sol. Desta forma, os alérgicos devem dormir, de preferência, no quarto que mais recebe sol na casa. Deixar o colchão no sol pelo menos uma vez por semana ajuda muito a diminuir a população de ácaros que nele habita. Além disto, o colchão deve ser aspirado, assim como a cama e o estrado.


Controle da umidade

Se há sol, normalmente não há umidade em excesso. Porém, quando há pouco sol no quarto, o ambiente torna-se altamente propenso ao desenvolvimento de ácaros. Deve-se lembrar que, dentro de casa produz-se vapor principalmente com o chuveiro e com o cozimento de alimentos. Portanto, o uso de umidificadores deve ser restrito apenas aos dias de umidade muito baixa, menor de 40%, sob pena de se facilitar o desenvolvimento de ácaros. Em ambientes muito úmidos permanentemente, podem-se utilizar desumidificadores, que ajudam a diminuir o mofo e o número de ácaros.

O uso de filtros de ar (como Sterilair, por exemplo) não contribuem de forma alguma para diminuir o número de ácaros no quarto, por um simples motivo: os ácaros são pesados e não voam e não alcançam, portanto, o filtro de ar. Por isto, não jogue dinheiro fora.

Eliminação da poeira

Quando se varre um ambiente, a poeira em suspensão no ar leva duas horas para sedimentar novamente. Mesmo com o uso de aspiradores, uma parte da poeira volta para o ambiente (a menos que se usem aspiradores que utilizam água ao invés de saquinhos para reter a poeira aspirada). Não se deve limpar o quarto com a criança dentro dele e, de preferência, não limpar à noite.





Os principais depósitos de poeira são os carpetes, as cortinas, as almofadas e os bichos de pelúcia.

É praticamente impossível eliminar a poeira de um carpete, por mais que se aspire. Portanto, a recomendação é que se utilizem pisos frios ou de madeira, que não acumulam pó e permitem uma limpeza completa.

As cortinas devem ser leves e retiradas mensalmente para lavar. Cortinas pesadas, além de reterem mais pó, são mais difíceis de serem mantidas limpas.

Utilize edredons ao invés de cobertores. Os cobertores (mesmo os que se denominam antialérgicos) acumulam mais pó.

O uso de almofadas no quarto só aumenta a população de ácaros, principalmente se elas foram mantidas na cama. De preferência, não usar almofadas no quarto e, assim que possível, retirar os protetores de berço, pois também são habitados por ácaros.

Os bichos de pelúcia devem ficar afastados do berço ou da cama. Mas, muitas crianças insistem em dormir com um deles. Desta forma, alguns cuidados devem ser tomados, como por exemplo, lavar os bichinhos de pelúcia em água quente, a cada quinze dias ou, se não tiver água quente, coloque o bicho de pelúcia no freezer durante 24 horas e, depois, lave-o. Ácaros morrem com temperaturas muito baixas.



Reduzindo o alimento dos ácaros

Como os ácaros se alimentam de descamação de pele humana, diminuindo suas reservas de alimento, reduziremos a população de ácaros na cama. Para isto, a lavagem da roupa de cama deve ser feita semanalmente, de preferência com água quente, ou passada a ferro.

As capas próprias para colchão e travesseiro os envolvem por inteiro, fechando com um zíper. Por terem uma parte de vinil em sua composição, não permitem a passagem da descamação da pele para o colchão e ou travesseiro. Desta forma, raciona-se a comida dos ácaros, que morrem de fome. São, portanto, bastante úteis nos quartos de indivíduos alérgicos. Um investimento que vale a pena.
















quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Doença da mão, pé e boca



A doença da mão, pé e boca é causada por um vírus chamado coxsackie. Este vírus é altamente transmissível, podendo passar de uma pessoa para outra pelo pelo contato com as secreções do nariz, da garganta e da boca de crianças infectadas. A doença também pode ser transmitida pelo contato com o líquido das bolhas das mãos e pés ou com as fezes de crianças infectadas. As secreções e fezes contaminadas podem ficar na superfície de móveis, objetos e brinquedos e também podem transmitir a doença, portanto, lembrem-se de lavar sempre bem as mãos. Se desejarem, vejam o post sobre lavagem de mãos no link: http://pediatrio.blogspot.com/2011/04/como-lavar-as-maos-cante-parabens-voce.html

Aproximadamente metade das crianças que se infectam com o vírus coxsackie não têm sintoma algum, outras apresentam somente alguns episódios de febre por aproximadamente três dias, sem qualquer outro sintoma. Por outro lado, há crianças que desenvolvem a doença típica da mão, pé e boca.

A doença é mais freqüente na primavera e no outono e acomete geralmente crianças menores de 5 anos.

Após um período de incubação que varia de 4 a 6 dias, aparece a febre que pode ter intensidade variável (em alguns casos, a criança pode não apresentar febre). Após esta fase inicial, aparecem pequenas aftas na boca (estomatite) que causam dor quando a criança engole saliva ou se alimenta. Frequentemente, a criança baba muito e recusa a alimentação nesta fase. A seguir, surgem pequenas bolhas branco-acinzentadas com a base avermelhada nas mãos e nos pés (principalmente na região das palmas das mãos e plantas dos pés). Estas pequenas bolhas não coçam e não doem e podem aparecer também nas nádegas.

Por ser uma doença causada por um vírus, o tratamento é sintomático, ou seja, as medicações são usadas somente para aliviar os sintomas. Em alguns casos graves e raros, a dificuldade de ingerir líquidos pode causar desidratação. Porém, na grande maioria dos casos, as medicações sintomáticas associadas a uma alimentação leve e uma boa ingestão de líquidos são suficientes para que a criança supere a infecção utilizando os recursos de seu próprio sistema imunológico.












segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Brincadeiras desplugadas






Os pais de hoje estão criando seus filhos em um mundo muito diferente daquele em que foram criados. Utilizam menos suas experiências pessoais da infância para guiar na criação de seus filhos, pois os tempos mudaram muito. A principal mudança foi o aparecimento de novas mídias e aparelhos eletrônicos, além do enorme conteúdo televisivo que está disponível hoje.

Mas, afinal, estes aparelhos todos que nos rodeiam, computadores, televisores, iphones, tablets, influenciam positivamente nossos filhos? É saudável utilizá-los para entreter crianças pequenas?

Em crianças menores de dois anos, a resposta é NÃO. Isto é o que diz um estudo publicado neste mês pela Academia Americana de Pediatria. Hoje se conhece muito mais sobre o desenvolvimento inicial do cérebro das crianças, as melhores formas de ajudá-las a aprender, bem como o efeito dos vários tipos de estímulos e atividades neste processo. 

As conclusões principais foram as seguintes:


Crianças aprendem a pensar criativamente, resolver problemas e desenvolver a motricidade em idades precoces através de brincadeiras “desplugadas”.
Muitos programas propagandeados como “educativos” só conseguem atingir seu objetivo se houver compreensão de seu conteúdo, o que, como mostram alguns estudos, só é alcançado por crianças acima de dois anos de idade.
Crianças aprendem melhor através da interação com humanos, não com telas.
Pais que assistem aos programas infantis com seus filhos acrescentam conhecimento a eles. Porém, as crianças aprendem mais com apresentações ao vivo, do que televisionadas.
Pais que assistem aos seus próprios programas junto com seus filhos que estão brincando, acabam se distraindo e prejudicando a interação com os mesmos.
Assistir à televisão no horário de dormir pode causar dificuldade no sono, o que afeta o humor, o comportamento e o aprendizado. (veja mais detalhes no post de julho “Lugar de TV não é no quarto”)As recomendações principais são as seguintes:
Coloque limites no tempo de exposição a mídias eletrônicas e televisivas para crianças menores de dois anos.
Ao invés de dar telas para a criança brincar, opte por manter a criança brincando independente e apenas supervisionada, quando não puder brincar junto com ela. Por exemplo, se a mãe está preparando o jantar, mantenha a criança no chão da cozinha brincando de empilhar objetos plásticos enquanto isso.
Evite colocar um aparelho de televisão no quarto da criança.


Se pararmos para pensar, todos os recursos tecnológicos que temos hoje, foram desenvolvidos por pessoas que, na sua própria infância, nunca foram expostas a eles. Substituir brincadeiras e contato humano por telas de TV ou de computadores parece não ser a melhor alternativa.

Os dois vídeos abaixo foram ambos feitos com crianças de nove meses. Veja e faça a sua escolha.














sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Molusco contagioso



Molusco contagioso é uma doença causada por um vírus da família Poxvirus. A pele apresenta lesões que são pequenas pápulas, de tamanho entre 2 a 5 mm de largura. Estas pápulas têm coloração perolada e são umbilicadas (têm um afundamento na região central da lesão). Os locais mais freqüentes onde os moluscos aparecem são a face, a região axilar, o pescoço, os braços e o tronco. Na verdade, elas podem aparecer em qualquer local do corpo, exceto nas palmas das mãos e plantas dos pés.

Esta infecção de pele é muito comum em crianças e é adquirida pelo contato direto com uma lesão. O vírus pode se espalhar por outros locais do corpo através da manipulação de uma lesão, como o ato de coçá-la, por exemplo. O uso de toalhas, roupas e brinquedos contaminados pode ser uma forma de adquirir as lesões.

Em geral as lesões de molusco contagioso não doem, não coçam e não costuma haver inflamação local, a menos que se manipulem as mesmas.

Em crianças com pele muito seca, por exemplo, crianças com dermatites, o molusco contagioso costuma ser mais freqüente e recorrente, pois há uma menor resistência natural da pele.

Em geral, as crianças costumam ter de 10 a 20 lesões, algumas vezes um pouco mais ( já vi casos com mais de 50 lesões!). Em indivíduos com boas defesas, as lesões acabam desaparecendo sozinhas num período que leva de meses até anos (em geral até 2 anos).

Crianças com molusco contagioso não devem freqüentar piscinas. Porém, há pesquisadores que questionam se os vírus não seriam inativados na água da piscina e o uso das toalhas e brinquedos neste ambiente é que seria a verdadeira causa da transmissão dos vírus de uma criança para outra. Mais estudos são necessários para esclarecer esta questão, mas, por enquanto, a recomendação é: quem tem molusco contagioso não deve freqüentar piscinas.

O tratamento costuma ser feito por dermatologistas através de curetagem da lesão (uma espécie de raspagem) , com a aplicação prévia de uma pomada anestésica no local. Algumas vezes são necessárias várias sessões com intervalos de 6 a 8 semanas, para acabar com todas as lesões.








quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Prevenindo acidentes com brinquedos

Ilustração: Claudia Marianno

Enquanto as crianças ficam encantadas, os pais ficam confusos com a grande variedade de brinquedos oferecidos nas lojas e nos anúncios publicitários.

Os pequeninos desejam ter toda aquela variedade de brinquedos, mas os pais se preocupam em selecionar o brinquedo mais adequado para os seus filhos.

Ao escolher um brinquedo pensamos na faixa etária da criança que vai recebê-lo e nos interesses que esta criança demonstra. Se a criança é pequena, uma das maiores preocupações é com a sua segurança ao manusear este brinquedo, porque o que é bom para uma idade, pode ser perigoso para outra.



Especialmente para as crianças pequenas, abaixo estão algumas situações que devem ser prevenidas:

Acidentes de sufocação:
Saquinhos plásticos que envolvem os brinquedos não devem ficar acessíveis à criança pelo risco de colocá-los na região da cabeça e provocar sufocação. Bexigas de látex estouradas devem ser descartadas pelo risco de serem acidentalmente engolidas.

Ingestão e aspiração de objetos:
As crianças tendem a levar à boca tudo os que pegam com as mãos, por este motivo, os brinquedos não devem conter partes pequenas e desmontáveis. Uma regra prática é utilizar como referência dois dedos da mão, pois eles possuem juntos o diâmetro aproximado da garganta da criança (três cm). Tudo o que for maior do que dois dedos não deverá ser dado a uma criança pequena, sob o risco de haver aspiração ou engasgo.

Ferimentos e alergias:
Vale à pena prestar atenção se o brinquedo contém partes pontiagudas que podem ferir a criança que o manipula, ou se contém tintas que podem causar toxicidade ou alergias.


Por fim, antes de adquirir um brinquedo, vale à pena verificar a indicação da idade fornecida pelo fabricante e também o selo de segurança emitido pelo Inmetro. O selo do Inmetro garante que o brinquedo passou por testes que comprovam sua segurança e qualidade e que os materiais utilizados na fabricação dos brinquedos sejam atóxicos.







domingo, 16 de outubro de 2011

O que é coqueluche?


A coqueluche, também conhecida como “tosse comprida” é uma infecção respiratória altamente transmissível causada pela bactéria Bordetella pertussis. Esta bactéria é transmitida por pessoas doentes por meio de gotículas de saliva expelidas na tosse, espirro ou ao falar. O contagio também pode se dar pelo contato direto com objetos contaminados com secreções das pessoas doentes.

Inicialmente, aparecem sintomas leves, que podem ser confundidos com uma gripe, como febre, coriza, mal-estar e tosse seca. Em seguida, começam os acessos de tosse seca e contínua que deram origem ao nome “tosse comprida”. Os acessos de tosse podem ser finalizados por uma inspiração forçada e prolongada semelhante a um guincho e vômitos. Na fase final, os acessos de tosse desaparecem e dão lugar à tosse comum que pode durar em média três semanas. Os bebês são os que têm maior risco de apresentar formas graves da doença e complicações como desidratação, pneumonia, convulsões, lesões cerebrais e até a morte.

No Brasil, foram confirmados 593 casos de coqueluche em 2011. Desses, 451 ocorreram em crianças menores de um ano, infelizmente com 15 óbitos registrados. Estudos mostram que os adultos que convivem com as crianças, como mães, pais, irmãos e avós são as principais fontes de transmissão da doença aos recém-nascidos e bebês, os mais vulneráveis às complicações. Os adultos costumam ter quadros clínicos mais leves e, muitas vezes, nem sabem que estão infectados pela Bordetella.
A forma de prevenir a doença é aplicar a vacina tríplice bacteriana, que previne contra a difteria, o tétano e a coqueluche. Ela faz parte do calendário obrigatório do Programa Nacional de Imunizações e consiste em três doses no primeiro ano de vida (2º, 4º e 6º meses de vida), um primeiro reforço por volta dos 15 meses e mais um reforço entre 4 e 5 anos de idade.

A partir dos doze anos de idade é importante que os adolescentes e adultos tomem pelo menos uma dose da vacina tríplice bacteriana do adulto para se manterem imunizados contra a coqueluche. Infelizmente, a vacina tríplice bacteriana dos adultos não está disponível no sistema público de saúde, somente em clínicas privadas. Como os adultos são a maior fonte de contaminação para as crianças, é muito importante que eles também estejam imunizados






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